Difícil falar deste assunto hein? Mas eu vou falar sobre isso contando um pouco da minha história.
Há quem diga que existe espírito de adultério, eu vejo o na bíblia como pecado e obra da carne: Gálatas 5-19;21´.
É claro que o inimigo se aproveita de nosso pecado para agir em nossas vidas, mas as pessoas confundem demais obras da carne com possessão demoníaca.
No velho testamento o adultério encontra-se na lista dos dez mandamentos:Êxodo 20;14.
Bom, eu nasci de um adultério, meu pai era casado e tinha seis filhos, o mais velho tinha 30 anos quando nasci, e o mais novo por volta dos 15. Mas eu não fui a única a nascer deste relacionamento, meu Pai teve com a minha mãe 4 filhos, e eu sou a caçula.
A esposa de meu Pai conseguiu nos tirar da nossa mãe, dividiu meus irmãos, e eu fui criada por ela e pelo meu Pai.
Imaginem, eu caí de pára-quedas num lar totalmente despedaçado, todos eram adultos, e eu tinha pouco mais de um ano...Todos sofreram, nossa eu vi tantas brigas , cresci neste lar sem nenhuma estrutura familiar, ninguém respeitava o meu Pai, e sua esposa era uma espécie de ditadora naquele lugar, mandava e desmandava, pois o Patriarca tinha perdido o respeito dos filhos e a moral dentro de casa.
Eles brigavam muito, sempre ela começava as discussões, por causa de dinheiro, ou qualquer coisa, e meu Pai apesar da idade ainda aprontava com mulheres, negava ate a morte, e quem era a prova material do acontecido? EU! Minha madrasta dizia: Ah você não apronta?E isso( se dirigindo a mim)o que é?
Quanto tormento, meu Pai me amava desesperadamente, e causava ciúmes nos outros e na esposa, que por sua vez, derrubava sua imagem para mim, eu vivia um grande dilema, amar ou não amar aquele homem?
Cresci assim, no meio de uma grande confusão, apesar de serem católicos, Deus eles não conheciam...Perdão passava longe, parecíamos zumbis.
Aquela casa era um inferno, eu desde pequenina fui para escola de freiras, e eu agradeço a Deus, pois elas cuidaram de mim, eu fui muito querida naquele lugar.Mas eu ia crescendo e me tornando rebelde, fui criada como um cachorrinho, sem atenção, ficava muito sozinha, apesar da casa estar sempre cheia, era um entra e sai...Meu pai a chamava de Hotel Gruta Baiana. (ah, quando descobriram a 4 gravidez da minha mãe foram embora para Belém do Para, e assim que chegaram meu sofreu um acidente, quase morreu, por isso ficou mais que nas mãos da esposa...é uma longa história)
Eu quase fui vítima de estupro, por causa do entra e sai de pessoas, meu Pai tinha um Bar-Restaurante, então...Isso me deixava pior, aos 10 anos tentei me matar pela primeira vez, e foi assim varias vezes, por causa do inferno que era a casa, eu não aguentava, fazia de tudo pra chamar atenção daquelas pessoas, de todas as formas que se pode imaginar, mas eu queria mesmo era morrer, pois não via esperança de que aquele quadro mudasse.
Carreguei por muitos anos a certeza de que eu era um fardo, e que por ser "bastarda" iria sofrer a vida toda, era amaldiçoada.
Nunca esconderam de mim os fatos, eu sabia de tudo, o que mais me machucava era não ter mãe, pois a esposa do meu pai jamais foi mãe para mim, eu a chamava de Vovó, por causa da minha sobrinha mais velha, quando cheguei naquela casa aprendi com ela a chamar minha madrasta de Vovó.
Minha mãe me deu o nome de Patrícia, mas a Vovó mudou para Márcia Gizella, eu nunca soube a verdadeira data do meu nascimento,´pois ela me registrou em 2 de Fevereiro em homenagem a yemanjá.
E eu sabia disso desde pequena.Porque não esconderam alguns fatos?
Assim também foi com meus irmãos, mas não vou falar deles, pois não gostam de ser expostos.
Nossa, eu detestava esse nome, Márcia Gizella pra mim era um castigo, zombavam de mim na escola, Gizerda, Grizelda, Gazela...Eu era rebelde e agressiva, me chamavam de bastarda, Maria Homem...
E eu pensava, se eu morrer tudo acaba!
Todos sofreram, meus irmãos, meu Pai, e minha madrasta.Nunca foram felizes, as marcas desse adultério eram visíveis a todos.Vovó amaldiçoava meu Pai dia e noite:Tu me paga, Tu me paga!
Cresci infeliz, e com aversão a traição , graças a Deus, apesar de minha madrasta dizer que eu seria como a minha mãe, eu nunca me envolvi com homem casado.
Tive depressão por anos, meus estudos foram comprometidos, e aos 16 anos eu realmente quase morro, tomei duas cartelas do remédio para o coração e para derrame, eram do meu Pai, (dicorantil e maliasin de 100 mg, nunca esqueço).
Mas não era a minha hora, Deus não permitiu que eu morresse e esse fato serviu pra minha madrasta enxergar o que acontecia comigo, fiz terapia, e o Psicólogo a orientou a mudar o comportamento comigo, pois eu era infeliz por me sentir culpada pelos sofrimentos da família, me sentia desprezada e odiada.
Embora o inferno na casa continuasse, Vovó começou a abrir seu coração, meu Pai faleceu dois anos depois aos 74, minha vida mudou, tive o Gabriel, depois o Dudu, conheci o Deus verdadeiro, e Vovó faleceu de câncer a exatos dois anos, aos 78. Sofreu por quase oito anos, e morreu de forma terrível.O médico disse que aquele câncer estava lá a muitos anos...(esses dias falaram na tv que divórcio causa câncer, não se divorciaram, mas não viviam mais como marido e mulher)
Não vou me estender na história da minha vida completa, quero apenas ressaltar o que o adultério causou na família do meu Pai.
Também não vou falar dos meus irmãos, pois como já falei não gostam de exposição, mas saibam , que todos foram afetados de forma devastadora, meu Pai virou alcóolatra, um dos meus irmãos é viciado em jogo, a única filha mulher do casal é uma pessoa totalmente ferida, e isso afeta seu convívio com os filhos e maridos...E muito mais.
Apesar de não saberem, eles não conhecem o Senhor, e sei que muita coisa seria diferente se Deus entrasse de fato neste lar,mas queridos, mesmo em lar totalmente cristãos o divórcio tem feito estragos.
É preciso estar alerta sobre isso, as consequências de um adultério são, devastadoras,e mesmo que haja perdão, ficam as marcas.
Li um artigo no Genizah, que apesar de não concordar 100% com o autor, é um texto importante e nos ajuda estar alerta sobre o assunto.
Vigiem irmãos , claro que não podemos ser robôs, evitar a aparência do mal não é ser frio, não pegar na mão, dar um abraço em santidade, o importante é estar consciente do que nos ensina a Palavra: Efésios 5-1;5
Temos que nos amar como irmãos, e vigiar.
Espero que um pouco da minha história sirva de reflexão para aqueles que lerem esse texto.
Numa outra oportunidade conto sobre a minha conversão.
Que Deus abençoe a todos.
Márcia Gizella.(agora gosto desse nome, o Senhor já me curou!!!)
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