Ontem à noite, li um artigo muito interessante, escrito no séc. 19 pelo pastor batista Charles H. Spurgeon, considerado o príncipe dos pregadores. O citado texto tinha o seguinte título: A MELHOR ATIVIDADE ENTRE OS DOMINGOS e fiquei surpreso com a atualidade do texto, apesar de ter sido escrito a cento e tantos anos atrás...
Spurgeon inicia seu artigo acreditando que numa noite qualquer durante a semana a maioria das igrejas realizavam seus cultos de oração. Ele reafirmava a necessidade de se manter tais cultos relacionando-os diretamente com o sucesso dos membros da igreja em se tornarem Conquistadores de Almas para Cristo. Porém, Spurgeon atentava para um interessante detalhe que já ocorria no seu tempo: como os pastores de Londres não estavam conseguindo reunir os crentes para assistir a um culto de oração em uma noite e na noite seguinte ao Estudo da Bíblia, resolveram fazer uma só reunião para a oração incluindo também uma pregação. Para Spurgeon o resultado disso foi que a reunião não era nem uma coisa e nem outra; como ele mesmo dizia, “...nem carne nem peixe!”
Nesse ponto Spurgeon foi enfático: “Em vosso lugar, eu faria da reunião de oração uma característica distintiva do meu ministério. Façam o possível para que ela seja tal que não haja outra igual num raio de sete mil quilômetros”.
Spurgeon ensinava que não devíamos ir a uma reunião de oração para dizer o que desse vontade na hora. Devemos fazer o melhor que pudermos para tornar a reunião interessante e não cansativa aos que comparecem. Não devemos hesitar em dizer ao Sr. Linguaraz que Deus também escuta orações pequenas, de poucos minutos! Spurgeon diz: “Amo a igreja quase tanto como a minha querida esposa. Deste modo, se alguém fizer oração comprida, que vá orar em qualquer outro lugar, não porém numa reunião que eu esteja dirigindo. Se alguém não puder orar em público sem ultrapassar um espaço de tempo razoável, digam-lhe que termine em casa sua oração. E se os participantes parecem estar entorpecidos e desanimados, façam-nos cantar hinos populares. Depois, quando já os estejam cantando de cor, façam-nos retornar ao hinário da igreja.”
Mesmo que todas as outras reuniões da igreja fraquejem, devemos sempre manter a reunião de oração, porque esse é o maior empreendimento da semana e a melhor atividade realizada entre um domingo e outro. Para Spurgeon a reunião de oração era tão importante que se os crentes não estavam podendo frequentar à reunião à noite, deviam então adaptá-la para um horário em que pudessem atender à maioria. Um exemplo disso eram os camponeses da zona rural. Do mesmo modo como aquelas pessoas estavam acostumadas a acordar muito cedo pela manhã, também costumavam dormir muito cedo ao anoitecer. Assim sendo, um culto de oração na zona rural durante o período noturno seria ineficiente pela pequena assistência que compareceria para orar. Nesse caso, o melhor seria iniciar a reunião logo cedo pela manhã ou outro horário mais conveniente: “Façam-na à uma hora, às duas, às três, a qualquer hora do dia ou da noite, de sorte que, de uma forma ou de outra, façam as pessoas irem orar - diz Spurgeon.”
Outra dica daquele pregador batista é que se não pudermos induzir as pessoas a frequentar as reuniões de oração, então devemos levar a reunião até a casa delas, seja na sala, na cozinha, no quarto, no quintal, não interessa onde, o importante é fazer a reunião de oração, “...se não podemos fazer isso da maneira mais comum, então em nome de tudo que é bom e nobre façamos coisas incomuns”.
Fica aqui uma lição do nosso dever como crentes que é manter viva as reuniões de oração, pois segundo Spurgeon “...elas estão ligadas à verdadeira fonte de poder com Deus e com os homens”.
José Carlos Sobral
irmaozecarlos.blogspot.com
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