Friedrich Nietzsche (1844-1900), aquele mesmo que disse: "Deus está morto”. Olha que interessante:
ORAÇÃO AO DEUS DESCONHECIDO
Antes de prosseguir em meu caminho
e lançar o meu olhar para frente uma vez mais,
elevo, só, minhas mãos a Ti na direção de quem eu fujo.
A Ti, das profundezas de meu coração,
tenho dedicado altares festivos para que, em
Cada momento, Tua voz me pudesse chamar.
Sobre esses altares estão gravadas em fogo estas palavras:
“Ao Deus desconhecido”.
Sou, sou eu, embora até o presente tenha me associado aos sacrílegos.
Sou, sou eu, não obstante os laços que me puxam para o abismo.
Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a servi-Lo.
Eu quero Te conhecer, desconhecido.
Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida.
Tu, O incompreensível, mas meu semelhante,
quero Te conhecer, quero servir só a Ti.
Nietzsche (Traduzido do alemão por Leonardo Boff).
“Porque nos fizestes Senhor, para ti, nosso coração anda sempre inquieto enquanto não se tranqüilize e descanse em Ti.” (Santo Agostinho).
Porque, passando e observando os objetos do vosso culto, encontrei também um altar no qual está inscrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Pois esse que adoras sem conhecer é precisamente aquele que eu vos anuncio. Atos 17:23. (Apóstolo Paulo)
Nietzsche não dispensava a leitura da bíblia, ele também erigiu seus altares, seu raciocínio não concebia O criador, mas seu espírito se negou a concordar com tamanho desvario.
“Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; porquanto está escrito: Ele apanha os sábios na própria astúcia deles.” 3:19.
Não seria o mais recôndito do espírito sedento do homem que clama por este Desconhecido, levando-o mesmo contra as razões do seu raciocínio a buscá-Lo?
Sua alma corre em demanda de Deus como a corça suspira pelas correntes de águas, e enquanto sua lógica louca pensa em matá-Lo, no seu próprio coração ele é surpreendido por um altar erguido para O Eterno e pela misericordiosa longanimidade de Deus esperando que em um raio de lucidez ele atente para o Seu amor, deixando que Ele destile sobre si a sã doutrina.
Não há orfandade mais real que ignorar o pai vivo, quando realmente ele é genitor. O desequilíbrio da humanidade está diretamente ligado a esta desassociação da paternidade plena do criador, uma vez que só Ele conhece trinitariamente os seus filhos e só Ele é capaz de restaurar todas as enfermidades, distorções e carências da nossa alma.
Deus é um pai vigilante e jamais castrador, indica o caminho sem nos forçar a caminhar por ele, ensina sem nos anular, apesar de jamais errar, é tolerante com nossas tendências a descaminhos, está sempre pronto a perdoar e a recomeçar conosco. E por ser O Deus plenamente divino, com todos os atributos de pai perfeito, é que tem erigido nos corações sensíveis ao Espírito UM ALTAR.
“Conheçamos e prossigamos em conhecer ao Senhor; como a alva, a Sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.” Oséias 6:3.
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