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Por Jones Mendonça
(numinosumteologia.blogspot.com)

1. INTRODUÇÃO
Bem, vou tentar explicar de maneira bem simples para que qualquer leitor entenda. Infelizmente são poucos os livros que tratam do assunto e os sites da Internet que o abordam ou são críticas inflamadas (principalmente pelos defensores do texto tradicional) ou são textos muito técnicos. Acho que depois dessa leitura será possível compreender o porquê de tanto estardalhaço na mídia evangélica contra as chamadas versões modernas (NVI, BLH, NTLH, ARA, VIVA, ECA, e a Bíblia de Jerusalém).

2. O NASCIMENTO DA CLÁSSICA BÍBLIA PROTESTANTE
Desde que Erasmo organizou a primeira impressão grega da Bíblia, feita a partir de seis manuscritos medievais (século XII em diante), em 1516, sua versão vem servindo de base, por exemplo, para a Bíblia inglesa King James (ou Rei Tiago), a amada tradução portuguesa de João Ferreira de Almeida e a tradução espanhola Reina Valera. Acontece que com a descoberta, em 1859 e 1889, de dois novos manuscritos, o Códice Sinaítico e o Códice Vaticano, que datam do século IV d.C. (são alguns dos mais antigos manuscritos já encontrados), alguns eruditos propuseram uma nova edição do Novo Testamento, já que consideraram que o texto grego de Erasmo teria sido baseado em manuscritos inferiores aos dos dois manuscritos que eu citei. Isso provocou um rebuliço entre alguns cristãos mais conservadores, que alegaram que Deus não teria permitido que a Bíblia fosse transmitida ao longo de tanto tempo de forma incorreta. Essas pessoas passaram a defender o chamado “Texto Recebido” (também conhecido como Textus Receptus), utilizado por Erasmo, como correspondendo exatamente o que foi redigido pelos escritores bíblicos (outros, mais moderados defendem que é, pelo menos, o mais correto).

3. UMA NOVA VERSÃO BASEADA NO SINAÍTICO E VATICANO
Com a descoberta desses dois novos manuscritos, no século XIX, e também de outros manuscritos antigos (como os do Mar Morto), surgiu a idéia de buscar, através da confrontação dos diversos manuscritos disponíveis, um texto que se aproximasse mais dos textos originais. Westcott e Hort ficaram famosos após criarem uma edição crítica (resultado dessa confrontação) do Novo Testamento, baseada no Sinaítico e no Vaticano.

Os defensores do Texto Crítico alegam que não é possível afirmar que exista uma cópia fiel dos autógrafos (manuscritos originais), já que o copista cometia erros, fazendo omissões por descuido ou acrescentando palavras que eram apenas notas marginais (comentários do texto feitos na margem). Nosso trabalho seria o de buscar descobrir, através de inúmeras comparações de manuscritos, o que realmente teria sido escrito pelos autores. As técnicas utilizadas para esse fim tem sido o maior ponto de controvérsias. Os adeptos do texto crítico utilizam como base o Codex Vaticanus e o Codex Sinaiticus, ao invés do Textus Receptus. Uma das mais freqüentes críticas à edição de Westcott e Hort foi a omissão da Comma Johanneum, que é aquele texto que normalmente aparece entre colchetes em 1 Jo 5.7-8. Eles foram omitidos porque não aparecem nos melhores manuscritos gregos. Isso deixou os mais conservadores loucos de raiva, pois alegaram que a verdadeira intenção da omissão desse texto é negar a doutrina da trindade. Westcott e Hort, autores do chamado texto crítico, têm sido tratados por nomes que não convêm publicar aqui.

Alguns métodos utilizados na edição do chamado texto crítico, desenvolvidos por Brooke Foss Westcott (1825-1903) e Fenton John Anthony Hort (1828-1892) , têm sido muito combatidos atualmente pela ala conservadora, mas será que só por causa disso devemos descartar todo o trabalho feito por eles? Será que o Texto Recebido é realmente uma cópia fiel ou pelo menos mais próxima dos autógrafos? Essa teoria, à luz da crítica moderna, tem sido bem difícil de sustentar.

Deixando toda essa discussão de lado, gostaria de disponibilizar aqui os textos omitidos pelo texto crítico. Finalmente consegui baixá-lo. Comparei-o como o Texto Recebido e anotei as omissões.

Segue abaixo a Relação de textos omitidos pelo texto crítico de Westcott e Hort (para os conservadores, “os dois filhos de satã”).

Textos omitidos pelo texto crítico de Westcott e Hort:
Mt 17.21; Mt 18.11 ; Mt 23.14; Mc 7.16 ; Mc 9.44; Mc 9.46; Mc 11.26; Mc 15.28; Lc 17.36; Lc 23.17; Jo 5.4; At 8.37; At 15.34; At 24.7; At 28.29; Rm 16:24

BIBLIOGRAFIA:
ANGUS, Joseph. História, doutrina e interpretação da Bíblia – vol I. Tradução de J. Santos Fiqueiredo. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1951.
LADD, George E. Critica del Nuevo Testamento. El Passo, Texas: Mundo Hispano, 1990.
SIMON, Edith. A Reforma. Rio de Janeiro: José Olímpio, 1971.
E-SWORD. Texto crítico do Novo Testamento grego de Westcott e Hort. Disponível em . Acesso em 20Jul2009.

Tags: bíblia, nvi, versões

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Jones Faria Mendonça Comentado por:
Jones Faria Mendonça em 2 agosto 2009 às 18:24
Isso mesmo André. A NVI optou por inserir os versículos e pôr no rodapé essa informação. A Bíblia de Jerusalém, por exemplo, simplesmente os omite. Em relação à 1Jo 5.7-8, como é destacado pela NVI, NENHUM, manuscrito grego anterior ao século XII o contém. Isso sem falar nas melhores versões latinas (Vulgata). Nelas também não consta esse trecho.

Mas se a NVI optou por apenas dar explicações no rodapé e não omitir os versículos que o texto crítico descartou, porque é tão criticada?

Bom, acontece que a diferença entre o texto crítico e o texto recebido (Textus Receptus) não são apenas as omissões que postei no artigo. Algumas vezes a palavra "Senhor" é omitida no texto crítico porque também não aparece nos melhores manuscritos gregos. Nesse caso a NVI optou por seguir o texto crítico, omitindo tais palavras.

Logo começaram a surgir boatos dizendo que a NVI tentava negar a divindade de Cristo, etc, etc... Para mim, isso ocorreu por falta de informação das pessoas e pelo conservadorismo exagerado.

P.S.: Caso opte por adquirir a Bíblia de Jerusalém (que para mim é a melhor) não se esqueça que ela contém os deuterocanônicos (que nós protestantes chamamos de apócrifos). Isso pode gerar um desconforto por parte de outros membros de sua igreja.

Um abraço!
André Severiano Barbosa Silva Comentado por:
André Severiano Barbosa Silva em 2 agosto 2009 às 14:42
Ainda sobre o tema, reparei na minha Bíblia NVI a presença de tais versículos com a ressalva "Alguns manuscritos não trazem tal versículo". Especificamente, em 1Jo 5.7-8 está destacado "... (isto não consta em nenhum manuscrito grego anterior ao século doze)".

Abs,
André Severiano Barbosa Silva Comentado por:
André Severiano Barbosa Silva em 1 agosto 2009 às 18:10
Blz. Estou seguindo o seu blog; é muito bom por sinal.

Estou a fim de comprar a de Jerusalém. Tenho a NVI (em mídia) e não reparei nada demais, a não ser agora, pelos textos omitidos aos quais você se referiu. A BLH, por outro lado, acredito que deixa a desejar. A traduação é superficial, fora pequenos equívocos identificados até por um leitor não-estudioso.

Deus lhe abençõe!
Jones Faria Mendonça Comentado por:
Jones Faria Mendonça em 1 agosto 2009 às 17:28
André,

Este artigo foi publicado originalmente no meu blog. A bibliografia que utilizei para escrevê-lo encontra-se lá.

Sobre a Bíblia de Jerusalém já li muits críticas (para mim infundadas) já que como a NVI, ela utiliza o texto crítico de Westcott e Hort. Algumas ediçães antigas da Bíblia de Jerusalém eram tradução da versão francesa, ou seja era uma tradução de uma tradução. Atualmente tem sido publicadas versões traduzidas diretamente do hebraico/grego (texto massorético para o hebraico e Codex Vaticanus e Sinaíticus para o grego).

Caso queira dar uma olhada no artigo original:

numinosumteologia.blogspot.com
André Severiano Barbosa Silva Comentado por:
André Severiano Barbosa Silva em 1 agosto 2009 às 16:03
Jones,

Mt bom este artigo. Qual é a fonte?

De todas as versões, parece que a Bíblia de Jerusalém é a única sobre a qual não se ouve nenhuma crítica. A mesma é fruto de um esforço conjunto entre padres e pastores protestantes que assinam a sua autoria.
Abração,
Jones Faria Mendonça Comentado por:
Jones Faria Mendonça em 31 julho 2009 às 8:43
Obrigado pelo comentário Georges. Em relação ao artigo que você citou (na verdade Mary Schultze apenas traduziu o artigo) acho que é uma acusação equivocada. Como a empresa que detêm os direitos autorais da NVI é a mesma que publica livros de ocultismo, logo fizeram ligação com uma suposta conspiração bara desacreditar a Bíblia. Empresas estão interesadas em ganhar dinheiro. Bíblias e livros de ocultismo vendem muito, logo vão querer publicá-los. Com Westcott e Hort aconteceu a mesma coisa. Ataques pessoais foram utilizados para desacreditar o texto crítico.

De qualquer forma, respeito sua opinião.

numinosumteologia.blogspot.com
GEORGES EDWARD ALVES Comentado por:
GEORGES EDWARD ALVES em 30 julho 2009 às 23:57
Olá Jones, muito bom esse artigo. Eu particularmente gosto muito é da versão revista e atualizada da JUERP. Não gosto muito da NVI, como disse, por questões pessoais mesmo. Gostaria de recomendar a você um artigo da escritora e tradutora Mary Schultze (não me lembro agora o endereço, mas você acha fácil no Google). No site dela tem alguns artigos sobre este assunto, mas adianto que ela também não gosta muito da NVI não... (rs) Um abraço,
Georges

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