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JESUS, o REDENTOR e PERDOADOR

TEXTO ÁUREO - “Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”. João 8.36.

Verdade Prática - Acusar os outros, vivendo em pecado, resultará em decepção.

Leitura em Classe - Jo 8.1-12.

INTRODUÇÃO

Na lição passada estudamos acerca da água da vida que corre da fonte aberta no Calvário, a saber, Nosso Senhor Jesus Cristo. É a fonte da salvação, da purificação e do poder. Nesta lição, estudaremos outra face da missão de Jesus, abençoando os que sofrem no corpo. Tanto uma coisa como a outra estavam no plano de seu primeiro advento, isto é, salvar e curar os doentes, Is 61.1,2; 53.4,5.

1. UMA VITIMA DESPREZADA, Jo 8.1-4

Lendo cuidadosamente o versículo 1, concluiremos que estas palavras estão plenamente ligadas às últimas do capítulo anterior.

Jesus não tinha casa própria para morar. Isso Ele disse certa vez a um escriba que levianamente pediu-lhe que o deixasse acompanhá-lo: “As raposas têm seus covis e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”, Mt 8.19,20. Cremos que Jesus, cuja missão neste mundo era de importância inigualável, por ser enviado de Deus para realizar a maior obra do universo: a salvação dos pecadores vivia em constante intimidade com o Pai. Você, que gosta de exortar os outros a orar, também costuma fazê-lo? Rm 2.21.

II. UM ENCONTRO COM JESUS, v.5.

Não é justo julgar os outros quando se está em pecado. Jesus é procurado mais uma vez pelos fariseus, que pediam a condenação de uma pobre mulher que estava pecando contra o sétimo mandamento. A pretensão deles era conseguir uma palavra de Jesus que lhes desse motivo para acusá-lo, embora eles estivessem pecando contra a própria lei, usando de falsidade com Jesus, Lv 19. 11, 12.

Não há aqui qualquer prova de que Jesus descobrisse ali mesmo o pecado da mulher. Ele bem conhecia a lei (Lv 20.10), e jamais entraria em contradição com ela. No caso do pagamento do tributo a César, que também foi hipocrisia deles (Mt 22.17-22), Ele negou-se a servir de juiz, pois o caso já estava resolvido pela lei. “O juízo de Deus é segundo a verdade” (Rm 2.2). Ele não veio condenar e sim salvar o mundo, Jo 3.17.

III. CITANDO A BIBLIA COM MALDADE, vv.5,6.

Jesus a seguir, tira a máscara da hipocrisia dos fariseus. O texto diz que eles fizeram aquela pergunta, não porque quisessem aprender uma lição sobre moral, e sim para tentar o Mestre.

Parece que eles tinham algum parentesco com o Diabo, que sempre acusa as vítimas do mal, Mt 4.7; Ap 12.10.

Jesus deu uma resposta sem falar. As vezes uma resposta sem palavras, através do silêncio é a solução, mas isso não é fácil, a menos que tenhamos o prumo e o equilíbrio interior do Espírito Santo. Muitos falam quando deviam calar, e calam quando deviam falar, O Mestre era o exemplo nisso, até nos últimos momentos da vida, Jo 19.9.

Eles estavam com pressa em condenar, mas Jesus não. Ele não disse que a mulher não tinha pecado e que deveria ser apedrejada. Isso o colocaria de encontro a lei e com certeza o povo o acusaria de conspurca- dor e transgressor dela. Se o Mestre ordenasse que a apedrejassem, seria acusado pelos romanos como usurpador do direito de punir e matar os criminosos, Jo 18.31. Também o acusariam de incoerente quanto ao seu ensino sobre o perdão e o condenariam como contraditor.

IV. A CULPA CONDENA O ACUSADOR, vv. 7-9.

Houve remorso e fuga (indícios de culpabilidade) dos fariseus. Jesus, inclinado, escrevendo silenciosamente na terra, certamente formulou a justa réplica contra os acusadores da pecadora, para mostrar-lhes que não era justo e reto o motivo que os levara a lançar um libelo contra aquela vítima de Satanás. Fé-los ainda entender que eles eram fontes impuras donde fluía o pecado, porque o que queriam não era a condenação da pecadora, mas lançar contra Ele as armas da sua malícia.

V. JESUS RESOLVEU A QUESTÃO EM HARMONIA COM A PRÓPRIA LEI

A reta justiça não se curva á vontade de homens... O gesto sábio de Jesus (abaixando-se para escrever na terra) foi suficiente para impressionar os fariseus e fazê-los refletir nas palavras: “Aquele que está sem pecado atire a primeira pedra”, vv.6,7.

Olharam para o que estava escrito na terra, e refletindo, disse talvez um: - Eu sou hipócrita. Outro: - Eu sou sacrílego, roubo o templo. Outro ainda: - Eu sou mentiroso! Que fizeram? Apressados, saíram, começando pelos mais velhos, v.9.

A velhice é uma idade em que, se a pessoa não se ocupar em servir a Deus e ao próximo, dará para acusador e procurador de defeitos nos outros. Toma-se um inspetor indesejável. É como diz a Palavra de Deus no original grego, 1 Pe 4.15 —

“allotrioeplskopos”, isto é literalmente “bispo do que não é da nossa conta”.

Nos jovens há falta de prudência, discernimento é reverência, devido à imaturidade e pouca vivência em todos os sentidos.

Por sua vez, em muitos velhos, sobra a critica amarga, a acusação, a intransigência e a implicância. O plano de Deus, nesse caso, é visto no Salmo 92.14. Jesus conhecia o que estava nos corações deles e calados saíram vencidos.

Você que está lendo estas palavras, ainda tem coragem de caluniar seus irmãos, criticar, escrever contra eles, aparentando rosto de santo? Se você faz assim, medite bem e veja de quem você é filho e a quem está servindo: Ap 12.10. Pergunte a Tiago se você está certo: Tg 11.12.

Aprendamos: os mais culpados são os maiores acusadores: 1 Rs 3.22,26b. Jesus veio salvar, não condenar. Quem está em Cristo não acusa, não condena. Trata dos problemas e caso pessoais, sem acusar, sem condenar, sem ares de superioridade, sem julgar mal, sem espalhar, sem tomar partido. Deixa tudo nas mãos do Senhor. Que Deus tenha misericórdia de nós para que possamos segui-lo nessa parte referente à vida alheia.

A falsa santidade faz do crente um anão na fé. Parece um santo na aparência, mas tem o coração de Judas. Nunca cresce. Sempre escorrega. Nunca se firma de fato, mas também... preocupa-se mais com a vida dos outros do que com a própria! Que o Senhor nos guarde.

VI - A DOUTRINA DA REDENÇÃO

Como já vimos, redenção tem a ver com a pessoa do pecador. Ela é realizada por Jesus Cristo: “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” (Ef 1.7). Pois “... por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção” (Hb 9.12).

Definição de redenção. Nos dias bíblicos, redenção é a libertação de um escravo, mediante um resgate — gr. lytron (este termo aparece em Mateus 20.28) —‘ além de retirar esse escravo do mercado de escravos, para não mais ficar exposto à venda. Redenção sempre requer o preço a ser pago para garantir a liberdade do escravo.

Há sete principais palavras originais no Novo Testamento para redenção:

1) Agorazo, “compraste” (Ap 5.9). Comprar na praça. O pecador estava na praça do mercado de escravos, vendido ao pecado e servindo a Satanás: “Assim, meus irmãos, também vós estais morros para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais doutro, daquele que ressuscitou de entre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus” (Rm 7.4).

2) Exagorazo, “resgatou” (Gl 3.13). Comprar o escravo na praça e retirá-lo de lá, pra que não fosse mais exposto à venda: “Ele nos tirou da potestade das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do seu amor” (Cl 1.13).

3) Lytroo, “resgatados” (1 Pe 1.18,19). Pagar o preço exigido pelo resgate um escravo e libertá-lo.

4) Lytrosis, “redenção” (Hb 9.12). Libertar mediante o pagamento de resgate. E um termo mais vigoroso do que lytroo.

5) Apolytrosis, “redenção” (Ef 1.7). E empregado em Lucas 21.28 para significar soltura, libertação, livramento, desprendimento do povo de Deus, sair deste mundo opressor e escravisador, para ficar eternamente com o Senhor. Este termo é uma forma mais vigorosa que lytrosis.

6) Antilyron (1 Tm 2.6). A troca de uma pessoa por outra; ou seja, a redenção de vida por vida, no caso de um cativo, escravo ou prisioneiro.

7) Lytron (Ex 2 1.30; Mt 20.28; Mc 10.45). O resgate pago pela redenção de um cativo, escravo ou prisioneiro de guerra.

A redenção do pecador. A nossa redenção espiritual foi planejada e decidida por Deus antes da fundação do mundo (1 Pe 1.18,19; Ap 13.8).

Essa redenção, em Cristo, é formosa e claramente ilustrada em Levítico 25 — principalmente nos versículos 25,48 e 49— e Rute 2.20; = 3.9-13; = 4.1-9. Nessas passagens, o termo go’el significa “parente remidor” , o qual tinha de ser consangüíneo do escravo.

Vemos claramente no papel desse parente remidor um tipo de nosso Redentor, o Senhor Jesus (Tt 2.14).

O tríplice resultado da redenção. A nossa redenção efetuada por Jesus resulta na conversão da alma, pois esta foi perdida pelo homem, na sua Queda (Gn 2.17; Ez 18.20).

Outro resultado da redenção é a nossa ressurreição, isto é, a redenção do corpo. O homem perdeu o seu corpo ao perder o direito a comer da árvore da vida, no Eden, devido à Queda: “Então, disse o SENHOR Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, pois, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente” (Gn 3.22).

A redenção resulta também em domínio da terra. O ser humano perdeu a terra ao pecar (Gn 1.28). Em João 1.29, vemos que Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (cf Ap 5.1-5,9). Na Segunda Vinda de Casto, começará a redenção da terra, que fora amaldiçoada depois da Queda: “maldita é a terra” (Gn 3.17).

VII - A DOUTRINA DO PERDÃO DE PECADOS

É importante distinguir perdão divino (1 Jo 1.9) de perdão humano (CI 3.13). Do lado divino, perdão é a cessação da ira moral e santa de Deus contra o pecado, e o seu cancelamento ou anulação. Visto do lado humano, o perdão é o alívio ou remissão da culpa do pecado, que oprime a consciência culpada.

Perdão é a remissão da punição do pecado, o qual leva à perdição eterna (Nm 23.21; Rm 8.33,34). Para nós, seres humanos, que, pela Queda, herdamos uma natureza pecaminosa e pecadora, parece fácil o perdão, e parece fácil Deus nos perdoar; isso por sermos todos uma raça de pecadores. Porém, com um Deus santíssimo em quem não há pecado, o caso é diferente!

Ora, até o homem acha difícil perdoar quando é injustiçado. Quanto mais Deus! Deus nos perdoa porque Ele é amor; mas saibamos que o seu perdão é baseado na mais perfeita justiça (1 Jo 1.9).

Perdão judicial. E para o descrente. A condição exigida por Deus para esse perdão é a conversão do pecador: “Arrependei-vos, pois, e convenci-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham, assim, os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (At 3.19). O meio exigido, portanto, é a fé em Deus.

Perdão doméstico. E para o filho de Deus; da casa de Deus. A condição exigida é a confissão dos pecados com arrependimento e o abandono desses pecados.

Se confessarmos os nossos pecados ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça (1 Jo 7.9).

O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que confessa e deixa alcançará misericórdia (Pv 28. 73).

O meio exigido é também a fé em Deus, e segundo a Palavra, Se a condição exigida por Deus para perdoar o crente faltoso fosse uma nova conversão,

As conseqüências de o crente não querer perdoar. O crente se recusar a perdoar, não querer perdoar de forma alguma, é uma atitude que afeta comunhão com Deus, individual e coletivamente. Afeta, ainda, a nossa comunhão com os irmãos com a igreja —, bem como o nosso caráter cristão e a nossa saúde em geral (cf. Mt 18.34,35).

Jesus, no seu ensino, no “Pai Nosso”, o único assunto que Ele repetiu três vezes foi o perdão; isto é, perdoarmos aos outros (Mt 6.12,14,15).

O momento ideal para o crente perdoar o seu ofensor é durante a oração (Mt 11.25). Até nisso a oração é uma bênção! Crente que ora pouco, também perdoa pouco (ou nunca).

Além do perdão entre os irmãos, deve haver reparação, quando for o caso (cf.Ef 5.28; = At 16.33; = Lv 4—6).

Falou mais o Senhor a Moisés dizendo: Dize aos filhos de Israel Quando homem ou mulher fizer algum de todos os pecados humanos, transgredindo contra o Senhor tal alma culpada é e confessará o pecado que fez; então, restituirá pela sua culpa segundo a soma total e lhe acrescentará o seu quinto, e o dará àquele contra quem se fez culpado (Nm 5.5-7)

A RECONCILIAÇÃO

Diferente de outros termos bíblicos e teológicos, “reconciliação” aparece em nosso vocabulário comum. E um termo tirado do âmbito social. Todo relacionamento interrompido clama por reconciliação. O Novo Testamento ensina com clareza que a obra salvifica de Cristo é um trabalho de reconciliação. Pela sua morte, Ele removeu todas as barreiras entre Deus e nós, O grupo de palavras empregado no Novo Testamento (gr. aIlassõ) ocorre raramente na Septuaginta e é incomum no Novo Testamento, até mesmo no sentido religioso. O verbo básico significa “mudar”, “fazer uma coisa cessar e outra tomar o seu lugar”.

O Novo Testamento emprega-o seis vezes, sem referência à doutrina da reconciliação (por exemplo, At 6.14; 1 Co 15.51,52). Somente Paulo dá conotação religiosa a esse grupo de palavras. O verbo katallassõ e o substantivo katallagê transmitem com exatidão a idéia de “trocar” ou “reconciliar”, da maneira como se conciliam os livros contábeis.

No Novo Testamento, o assunto em pauta é primariamente o relacionamento entre Deus e a humanidade. A obra reconciliadora de Cristo restaura-nos ao favor de Deus porque “foi tirada a diferença entre os livros contábeis”

Os textos mais relevantes são Romanos 5.9-11 e 2 Coríntios 5.16-21. Em Romanos, Paulo coloca a ênfase na certeza de salvação. Usando duas vezes a expressão “quanto mais”, ele assevera que a obra de Cristo nos salvará da ira de Deus (Rm 5.9) e que quando ainda éramos inimigos (Cl 1.21-22) a sua morte nos reconciliou com Deus. Logo, o fato de Ele estar vivo garante a nossa salvação (Rm 5.10), Podemos regozijar-nos em nossa reconciliação com Deus por meio de Cristo (5.11).

Se em Romanos a ênfase recai sobre o que Deus fez “por nós” em Cristo, em 2 Coríntios incide sobre Deus como agente principal da reconciliação (cf. Cl 1.19,20). O sermos novas criaturas provém de Deus “que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo” (2 Co 5.18) e que “estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (5.19). Estes versículos enfatizam o que pode ser chamado reconciliação ativa: isto é, para que a reconciliação aconteça, a parte lesada desempenha papel primário. Se a pessoa lesada não demonstrar a disposição de acolher quem a lesou, não poderá haver reconciliação.

Observe como acontece a reconciliação nos relacionamentos humanos, entre marido e mulher, por exemplo. Se eu pecasse contra minha esposa e assim provocasse um rompimento em nossa relação, mesmo que eu tomasse a iniciativa e pedisse com sinceridade a reconciliação — com presentes, flores ou rogando de joelhos — seria necessário ela me perdoar de coração para que a restauração pudesse acontecer. Ela teria de tomar a iniciativa, pois sua atitude é fator crucial.

Em Cristo, Deus nos garante que já tomou a iniciativa. Ele já nos perdoou. Agora, devemos corresponder, reconhecendo que já rasgou de cima a baixo o véu que nos separava dEle, e entrar com ousadia na sua presença perdoadora. Essa é a parte que devemos cumprir, aceitando o que Deus tem feito através de Cristo. Se não ocorrerem as duas ações, a reconciliação jamais acontecerá.

Conclusão

Às vezes falhamos com Ele, apesar de sua garantia de perdão. E então? Nesse caso, diz João, devemos ir a Deus para confessar o pecado e buscar perdão, sabendo que somos capazes de chegar a Ele por meio da obra de Cristo, como os filhos se aproximam de um pai. Nessa declaração, as referências à purificação por meio do sangue de Cristo (1.7), à promessa de perdão e purificação para aqueles que confessarem seus pecados (1.9), e à chamada à santidade (2.1,2) estão juntas. Amém

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus (auxiliar)

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Teologia Sistemática Pentecostal 2º. Edição

Teologia Sistemática – Stanley M. Horton

Lições Bíblicas CPAD 1982

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